Fechado naquele quarto, preso muito mais pelos meus sentimentos do que por aquelas paredes sem vida, eu relutava em encontrar o que de mais profundo existia na minha alma. Na cômoda, apenas o único barulho dos ponteiros do relógio, que tornava cada vez mais ensurdecedor o que trazia em mim, e que preenchia, pouco a pouco, o silêncio daquele quarto vazio. Perdido no tempo, olhando pela janela, na estrada não haviam carros, não haviam pessoas, não havia movimento, trazendo à tona a verdade de que eu realmente estava sozinho. Talvez esse fosse um tempo adequado para terminar coisas que ficaram incompletas no passado, polir aquelas que foram perdendo o brilho no caminho, talvez um período para encontrar um novo sentido de tudo aquilo que vivia, ou talvez iniciar construções novas. Naquela noite, eu encontrava a oportunidade de me deparar com a verdade nua e crua dos valores bons e menos bons que carregava, encontrava a oportunidade de reavaliar o que de fato devia ser cultivado no meu coração... e, finalmente, na distância das pessoas, a chance do tão temido encontro comigo mesmo. Como resultado dessa reciclagem interior, no fim daquela noite, naquelas paredes brancas, eu passava a encontrar felicidade, também a oportunidade de novas cores, de valores reformados. Mesmo na solidão que perdurava, as mesmas paredes frias ganhavam vida. Naquele vazio ainda havia esperança, existia luz... persistia o amor.

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