sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Perfume feminino.




Psicanalistas, filósofos e poetas explicam que a paixão, quando desenvolvida, gera uma identidade e imagem irreal do parceiro. Com o passar do tempo - e uma veracidade explícita e inevitável das personalidades - você descobre pontos que fazem do amor algo doloroso. Quando as coisas boas superam as ruins, o rumo natural é seguido. Se não, um botão de eject é acionado e, mesmo que aos poucos, a separação é inevitável. 

Esse período de, digamos, adaptação é descartável. Cada relacionamento proporciona uma sensação diferente. E só. Não estamos falando de felicidade ou tristeza, calor ou frio, bom ou ruim. Mas de um conforto até então desconhecido e diferente de todos os outros. Cada pessoa que passa na sua vida, quando relembrada, remete a esse sentimento de local, fase e momento. Isso se chama lembrança.

"Sentiu saudade?", alguém arrisca perguntar.

É claro que não. A saudade é algo ou alguém desejado que está fora do alcance. Nesse caso não há desejo. Fatos como um filme ou uma música proporcionam somente um reflexo de memória que leva até uma imagem. No caso, a paixão. 

É preciso mais para sentir a saudade. É preciso de um incentivo que o faça reviver a sensação do relacionamento passado por meio de ativações que possibilitam uma imaginária viagem no tempo. Mesmo que de mentira e por poucos milésimos de segundo.

O perfume causa isso. Você pode não lembrar qual foi a roupa dela no primeiro encontro. Você pode não lembrar o nome do primeiro filme que vocês assistiram no cinema. Você pode até não saber o nome do perfume dela. Mas o aroma é algo que jamais vai fugir da sua percepção.

O perfume de uma mulher tem a insaciável capacidade de nos tornar reféns. Ao senti-lo, independentemente do período vivido após o caso, o homem revive a sensação única e saudosista que todo relacionamento possui - ou possuiu. É dele o poder de nos fazer fechar os olhos, respirar fundo e desejar que o aroma fosse oriundo da fonte original de seu pensamento.

Isso, enfim, é saudade. De um lado frustrante. De outro, deliciosa. São vítimas do passado os que preferem o sofrimento de uma paixão incerta e platônica à segurança de um amor garantido de balões coloridos. A partir de hoje, faça-se um favor: sinta o perfume que remeta aos bons momentos. Não procure, aguarde. A surpresa é um fator determinante para o total sucesso da ação. Sendo assim, tenha paciência. Aproveite cada milésimo de saudade despertado pelo olfato. Para nós homens, nada possibilita efeito parecido, com tamanha perfeição.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Menina complicada.



Ela buscava as respostas onde se encontravam as perguntas, ela tinha perguntas sem respostas. Sobravam amores não correspondidos, ilusões e amizades destruídas em seu diário, mas mesmo assim ela não desistia da felicidade. Menina madura, simplesmente complicada. Buscava sempre o amor, apimentava suas paixões e cultivava suas amizades. Complicada, complexa, intensa, verdadeira e uma menina. Seu desejo era encontrar um ombro onde chorar nos dias tristes, uma mão para segurar quando se sentisse sozinha, um olhar para poder se refugiar quando se encontrasse desprotegida. Aprendeu com a vida a levantar a cabeça e olhar sempre um novo, um mais distante, um novo horizonte. Alimentada dos seus sonhos, não desistia, lutava por seus ideais. No seu modo subjetivo complicado de menina se encontrava também o seu lado de mulher madura, firme nas decisões, objetiva como o mundo lhe exigia. Ela aprendia a ser grande, aprendia que o passado servia apenas de alicerce para o presente. As ilusões, os amores, as paixões e as realizações fizeram dela uma melhor, mostraram ao mundo o encanto de menina-mulher que guardava dentro de si. Ela aprendeu que tinha o poder de fascinar, de encantar, de apaixonar os que se aproximassem. Então ela descobriu que poderia amar, e amou profundamente. Compreendeu que tudo com o que sonhara era verdadeiro e tinha valido a pena esperar. Encontrou-se enfim na felicidade. Nesse instante se descobriu uma mulher complexa, intensa, amante e apaixonante... uma menina complicada.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011




"Uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna..."

- Caio Fernando Abreu



Mentiras úteis.




Há certas horas, em que precisamos de um Amor...
Não necessitamos de uma paixão,
Não queremos beijo na boca.

Há certas horas, em que só queremos a mão no ombro,
O abraço apertado ou mesmo estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Alguém que ria das nossas piadas sem graça...
Que ache as nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis,
Nos seja de uma sincera inquestionável.

Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado,
Mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:
Sou seu Amor! E estou Aqui!

- William Shakespeare


Não deixe o amor passar.



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer o seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, nesse momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: o Amor. 

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o Amor. 


- Carlos Drummond de Andrade



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A mágica presença das estrelas.



Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

- Mário Quintana


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Teu anjo.




Acredita em anjo?
Pois é, sou o seu.
Soube que anda triste,
Que sente falta de alguém,
Que não quer amar alguém.

Por isso estou aqui:
Vim cuidar de você,
Te proteger, te fazer sorrir,
Te entender, te ouvir.
E quando estiver cansada,
Cantar pra você dormir.

Te colocar sobre as minhas asas,
Te apresentar as estrelas do céu,
Passar em Saturno e roubar o seu mais lindo anel.

Vou secar qualquer lágrima que ousa cair,
Vou desviar todo mal do seu pensamento,
Vou estar contigo a todo momento.
Sem que você me veja,
Vou fazer tudo que você deseja.

Mas, de repente você me beija,
O coração dispara
E a consciência sente dor.
E eu descubro que além de anjo,
Eu posso ser o seu amor.

Vou secar qualquer lágrima que ousa cair,
Vou desviar todo mal do seu pensamento,
Estar contigo a todo momento.
Sem que você me veja,
Farei tudo, tudo, tudo que deseja.

Mas, de repente você me beija,
O coração dispara
E a consciência sente dor.
E eu descubro que além de anjo,
Eu posso ser o seu amor.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Bem real.




É verdade que eu vejo bem longe em ti, mais até do que a maioria vê...
mas mesmo assim eu sinto que vai muito mais profundo 
do que eu mesmo consigo chegar.
E eu criei uma dependência, um vício de vasculhar 
cada vez mais profundo a tua alma.
Parece uma curiosidade que eu sinto de ti!


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011




Você consegue ser tão frágil aos meus olhos... 
Sinto que a qualquer momento você pode desabar, 
e consequentemente sinto mais ainda 
uma necessidade absurdamente exagerada 
de segurar você antes da queda. 
De qualquer queda, até mesmo das que eu possa causar. 






É muito fácil saber se um amor é o primeiro ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo. Nunca se percebe exatamente porque razão começa. Simplesmente começa. É um misto de início e de fim. Todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo. E todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem e o coração anda alto. Esse é o primeiro amor, o único amor... o amor.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O Sol e a Lua.




Quando o Sol e a Lua se encontraram pela primeira vez, se apaixonaram perdidamente, e a partir daí começaram a viver um grande amor. Acontece que o mundo ainda não existia e no dia que Deus resolveu criá-lo, deu-lhes então o toque final: o brilho! Ficou decidido também que o Sol iluminaria o dia e que a Lua iluminaria a noite, sendo assim, seria obrigados a viver separados. Abateu-se sobre eles uma enorme tristeza quando souberam que nunca mais se encontrariam. A Lua foi ficando cada vez mais amargurada, mesmo com o brilho que Deus havia lhe dado, ela foi se tornando solitária. O Sol, por sua vez, havia ganhado o título de nobreza "Astro Rei", mas isso também não o fez feliz. Deus então os chamou e explicou-lhes: "Vocês não devem ficar tristes, ambos já possuem um brilho próprio. Você Lua, iluminará as noites frias e quentes, encantará os enamorados e será diversas vezes motivo de poesias. Quanto a você Sol, sustentará esse título porque será o mais importante dos astros, iluminará a Terra durante o dia, fornecerá calor para o ser humano e a sua simples presença fará as pessoas felizes." A Lua entristeceu-se muito com o terrível destino e chorou dias a fio, já o Sol, ao vê-la sofrer tanto, decidiu que não poderia deixar-se abater, pois teria que dar-lhe forças e ajudá-la a aceitar o que havia sido decidido por Deus. No entanto, a sua preocupação era tão grande que resolveu fazer um pedido a Ele: "Senhor, ajude a Lua, por favor, ela é mais frágil que eu, não aguentará a solidão." E Deus, em sua imensa bondade, criou então as estrelas para fazerem companhia a ela. A Lua, sempre que está muito triste, recorre às estrelas que fazem de tudo para consolá-la, mas quase sempre não conseguem. Hoje eles vivem assim... separados, o Sol finge que é feliz e a Lua não consegue esconder que é triste. O Sol ainda esquenta de paixão pela Lua, e ela ainda vive na escuridão da saudade. Dizem que a ordem de Deus era que a Lua deveria ser sempre cheia e luminosa, mas ela não consegue isso, porque ela é mulher, e uma mulher tem fases. Quando feliz, consegue ser cheia, mas quando infeliz, é minguante e quando minguante, nem sequer é possível ver o seu brilho. Lua e Sol seguem seu destino, ele solitário mas forte, ela acompanhada das estrelas, mas fraca. Humanos tentam a todo instante conquistá-la, como se isso fosse possível. Vez por outra alguns vão até ela e voltam sempre sozinhos, nenhum deles jamais conseguiu trazê-la até a Terra, nenhum deles conseguiu realmente conquistá-la, por mais que achem o contrário. Acontece que Deus decidiu que nenhum amor seria de todo impossível, nem mesmo o da Lua e o do Sol, e foi aí então que Ele criou o eclipse. Hoje Sol e Lua vivem à espera desse instante, desses raros momentos que lhes foram concedidos e que custam tanto a acontecer. A partir de agora, quando você olhar para o céu e ver que o Sol encobriu a Lua é porque ele deitou-se sobre ela e começaram a se amar, e é ao ato desse amor que deu-se o nome de eclipse. Importante lembrar que o brilho do êxtase deles é tão grande que se aconselha não olhar para o céu nesse momento, pois os olhos podem vir a cegar por ver tanto amor. E Sol e Lua continuam sempre à espera de um novo encontro para poder mostrar ao ser humano que o verdadeiro amor persiste pela eternidade e resiste à distância, mesmo que de todo um universo.






O motivo é esse: por mais que eu tente,
não consigo encontrar a parte de mim que não precisa de você.

- Rudimar Moraes


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mulheres.




"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós. Pare para refletir sobre o 'sexto-sentido'. Alguém duvida de que ele exista? E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você? E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento? E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar o casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião para São Paulo. Só meia-hora de voo. Ela fala para você levar o casaco, porque 'vai fazer frio'. Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro! 'Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que pisa numa poça...' Se não levar o 'sapato extra', meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado... O sexto-sentido não faz sentido! É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil... As mulheres são mães! E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em ensinar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em 'praga de mãe', 'amor de mãe', 'coração de mãe'... Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado um dispositivo 'coração de mãe' nos 'anjos da guarda' de Seus filhos (que, aliás foram criados à Sua imagem e semelhança). As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravasam? Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres tem um 'não sei quê' que não quer chorar, um 'não sei quê' de fragilidade, um 'não sei quê' de amor, um 'não sei quê' de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens... É choro feminino. É choro de mulher. Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos... Parece que frequentam escolas diferentes das que frequentam os homens. E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. EN-FEI-TI-ÇAM! E tem mais! No tocante às profissões, porque se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas... Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era 'um continente obscuro'. Que evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amor as leva para dentro d'Ele, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem 'estar nas nuvens', quando apaixonadas. É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que tem ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Por que são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora."

(Luis Fernando Veríssimo)